quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Poema

Se me perguntas o que almejo
Farei brinquedo de tua palavra
Caçando prefixos beduínos
No deserto de teus sentidos
Enquanto insistes:
O homem precisa de um sonho
Os meus há muito devorei
E, digo a ti, pareceram-me apetitosos
Enquanto te acabrunhas
E eu me abracadabro
Sorrindo de teus escárnios
Descarnando o sentido de tuas parábolas
Sintonizando as parabólicas de minha pena
Desgastada com a força de minhas mãos infantis
Imaturas, sem nada almejar mais que o peso da pena
E, ao final de teus sonhos vendidos a mim tão caros
Tentando pousar ósculos de óculos com lábios tortos
Em tuas mãos de sábia causídica da vida, te direi:
Ainda não vês? É ser feliz pousando a vida em meu nariz.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Microcontos de Celular

1. A família juntou-se, ansiando a partilha do morto.

2. Colecionava a vida alheia. Quanto não dizem os necrológios!

3. Adilson nasceu, cresceu e notou que morreria.

4. Diziam que tinha sete vidas. Sem emprego, o sétimo andar não foi bem o pulo do gato.

5. Ia mudar-se para uma casa com piscina, mas morreu na praia.

6. Pelo horóscopo, não era prudente sair naquele dia. Sendo de câncer, morreu do mesmo jeito.

7. Adilson Jardim mudou o sobrenome para "caramanchão".

8. Lembrete: "Escrever este verbete cem vezes e nem ter em mente sementes sem 'e'. Crentes de serem mestres nesse cré sem cré".

9. Ih, Cici! Vi Lili, sim. Viking, brrrr! Tics, mimimis, shit! Ri. Fiz xixi, Cici! Xixi! ririririri! Quis fingir, dirigir, imprimir feeling! Vixi, Cici, mil links!

10. Um futum d'urubu num sururu dum rum-rum, ku-klux-cru, rum!, cuzcuz, xuxu, lulus, frufrus... Buh!

11. Poeta prolixo e sem imaginação. Escrevia versões.

12. Em meio aos perigos da vida, criaram uma senha só pra eles: "Amor". Palavra desconhecida dos inimigos.

13. Ao dobrar a borda dos sapatos, pôs o casaco no chão como fora uma oração. Voltava para casa: o coração.

14. Depois do sim, ela também se calou para sempre.

15. "A" catava palavras marcadas d'a, azadas para salgar charadas (chatas).

16. Os homens das cavernas vestiam casacos de pele. Primeiros a ditarem moda.

17. Viviam juntos, mas separados por uma atração carnal. Não daria certo.

18. Quando invertiam os papeis, ele pedia mais e ela desistia da brincadeira.

19. Vivíamos como peixes em aquário, e comíamos quando Deus jogava ração.

20. Ela vivia com tesão pelo esposa, que morria de ciúmes por isso.

21. Vendia bijus para sustentar uma autêntica joia de marido.

22. E ainda tinha de usar gravata num emprego nó cego.

23. Papai Noel disse que era mais popular que John Lennon. Também foi crucificado.

24. O casal compraria uma casa. O carro se tornava broxante.

25. Em breve, ela se tornaria o museu necessário para eu chamar de família.

26. Ela dizia: "Comprei este vestidinho pra morar". Os poetas de cada dia.

27. Antônio não cabia em lugar nenhum. Saiu de casa pra morar nos sapatos.

28. Do empresário casado com Ivete Sangalo: a formiga sustentada pela cigarra.

29. Eram notórias suas tentativas de permanecer anônimo.

30. Vitória, viúva vaidosa, vivia vangloriando-se: venal, velava vidas vizinhas, vagas vocacionadas, verdades vogas, vermezinhos vomitados, vexatórios. Vidinha, viu?!

31. Cada pança chalaça! Raça pancada, para lá das safadas, manga, canta, ladra, caça nas praças as aladas marcas, as altas aras...

32. Cantatagarelardear é o que os escritores fazem melhor!

33, Torpedo: Qrd Brbr, qr t dzr plvs q t imprm no core o q tnh n pto.

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