quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Ofício

Ando perdendo minha fé na literatura. Eu acreditava que escrever era convencimento, lugar na história, diálogo com as folhas caídas e trovas entre os dedos da amada. Hoje, não acredito mais numa literatura que não seja extremista, filisteia e mocreia. A demência é a salvação para tanta inteligência de meus contemporâneos. A palavra-limite, a palavra-meristema, os neologismos sem grafia, a traição a todas as amizades, a infidelidade a todas as religiões das gramáticas, o genocídio de todas as classificações sociológicas, o racismo contra a palavra-branca, a alma branca da clareza textual, a faca nos dentes contra os sintagmas-nominais-verbais-impessoais. Sem didatismos e notas de rodapé aos colonizados pela clareza e concisão milenares. A literatura é outra coisa. E tudo isso.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Poemas Visuais








PALAVRADA

Nada mais bonito que as palavras nesta vida
Noutra também
Árvores, não
Linha do horizonte, não. Coisa assim assada
Palavras me enroscam, me acariciam, me lambem
Olha, meu bem
ôlho
Os Olhos
O~O
Boucles d’oreilles
Quem disse que o amor é amoroso?
O amor são 4 letras e muita peitada
Palavras são tira-colo das emoções mais inatas
Tira-linha
Tirolesa
Tzivatzaiana de delgadas combinações trans-
(trans- qualquer coisa)
Il pleut em minha língua
Molha papel de TiNTa desgraçada
Palavrões não existem
Só moendas da mais devastada mágoa
Me larga!
Coza!
Doravante!
Eis um cristão em sua cruzada
Palavras me enganam, me fodem, me nada
bbbbbbbbbbbbbb (monte de buchudas paradas)
palavras são coisas raras.


(Adilson Jardim)

Poema (sem título)

Todo poeta quer chave d’ouro
Dos versos e de sua vida.
Se a tem pequenina
Alice, quedê o bolo?

Poema: Legenda


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