terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Poema

(para Bárbara, no tempo de minhas retinas)

Pensei numa canção
Dessas de encantar tigres e pedras
Perdi-me dentro de meu cálice
O copo de fel das palavras belas
Ditas em vão.


Elas eram as dançarinas que eu menino
Nada significava. Era apenas uma dança.
Os corpos incitavam a natureza e o soneto
De poetas em gestação, para quem mais tarde
Árvores e pedras emitiam estribilhos e cançonetas.

O maior poema de todos os tempos estava ali inscrito
E jamais será produzido, enquanto houver lábios
E uma boca morna mas tímida sob o amor que ela me oferece.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

CPI 2: A Origem de todos os males sociais


(Técnica do Conto Politicamente Incorreto)

Estou aqui, nesta noite, para levar a todos vocês, cidadãos de bem, informações sobre a fonte de todos os nossos males sociais. Quem sabe, então, ao final de minha fala esta noite, todos possam chegar sozinhos, como eu cheguei um dia, à única conclusão e decisão possível e obrigatória de homens de bem para dar cabo desse mal. 
 
Estatisticamente, a maioria dos crimes de tráfico de entorpecentes, assaltos à mão armada, estupros e violência urbana diversa no Brasil é praticada por negros e afro-descendentes. As estatísticas não mentem, seus números são rigorosos e por si só já promovem a mais autêntica interpretação da realidade. As cotas raciais privilegiam negros. As cotas mandam negros pra universidades, pra o mercado de trabalho, pra o Congresso Nacional. Brancos não têm cotas. Nao entram nas estatísticas. Estão fora da realidade.

Os negros são responsáveis pelo funk, pelo rap, pelo pagode e pelas músicas de brega eletrônico. Suas canções poluem as rádios, e seus ouvintes são negros e as escutam nas periferias em alta frequência. As demais músicas afro-descendentes foram aperfeiçoadas por brancos, como o samba, que, segundo o Poetinha, é branco na poesia. Os versos brancos não requebram acintosamente.

A própria periferia é criação de negros, como os morros, as favelas e os guetos. Outros espaços urbanos, criação de brancos, tais como viadutos, pontes, estações de metrô e esquinas de comércio, os negros tomam posse. Outros negros grafitam e subvertem a arte da ilustração e da pintura. Os negros acabam fazendo arte e pintam o sete por toda a Cidade. 

O candomblé e outras religiões que cultuam orixás são criação de afro-descendentes. Santa Bárbara os fulmine com seus raios.

A pobreza e a miséria estão nas estatísticas, e são negras e afro-descendentes. 
As estatísticas são claras. Clarinhas. Branco no preto.

Encerro e trago luz à discussão.


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